6.1.06



Aqui começa uma grande brincadeira.
Começa um jogo divertido de colaborar, de dividir, de tentar gerar algo a dois, a quatro mãos.
Uma forma de brindar os laços construidos através da grande rede e que viraram parcerias, colaborações e o melhor, Amizades.
Muito obrigado por aceitarem a minha brincadeira de dividir somente aumentando.
Muito obrigado a todos vocês, por serem TÃO.

A primeira edição está aí. Outras Virão.
Alexandre Beanes.

Fotos: Sabine Marins.
Template: Moca.


LENÇÓIS


1 Renata Correa:

Se coloco
Meus lençóis
No pequeno varal
Do amor
É para que sequem
Ao vento
Ou
Que molhem
Na brisa
Orvalhada
Da madrugada
Se coloco
Minhas pernas
Nas suas brancas
Pernas
É para que enlouqueçam
A matemática
E nos lençóis lavados
De duas
Virem quatro
Mágicas
Loucuras deslavadas
De pernas que teimam
Raras
Entrelaçadas
Sorrindo a teimosia
Da água
Do banho
Da cama
Pois poeta
Ama
O amor, o lençol,
A água,
E desanda matemáticas
Brancas
E doces quatro
Pernas que amam.



2 Chris O.:

se coloco
meus lençóis
no pequeno varal
do amor
é para que sequem
ao vento
ou
que molhem
na brisa
orvalhada
da madrugada

mas se os coloco
na larga cama
das paixões
é para que encurtem
ao seu sentir suor
ou
para que te revele
ao soprar de pele
alongando a espinha
do dia que enverga

logo, logo
na certa
haverá lençóis
estendidos no céu
a molhar a madrugada
deserta
ou
sacudir o suor do dia
ainda que de forma incerta
pois de amor e paixão
a vida
da vida
desperta.



3 Marpessa de Castro:

Se coloco meus lençóis no pequeno varal do amor
É para que sequem ao vento
Ou que molhem na brisa orvalhada da madrugada.
E hoje caio no esquecimento.
Deixo de lado todas as lições, abandono regras, confortos de salas conhecidas, de leitos camaradas. É quase como esquecer também do medo, sabê-lo distante, uma chama tremeluzindo do outro lado da minha vida e que não chega até mim porque não quero, porque não posso.
Abraço o que não entendo, arvoro-me na única certeza, que é a da queda iminente, sem pensar em fugir do destino, este monstro de luz e sombra que insiste em se colocar adiante, sempre à frente dos meus passos vacilantes. Pois hoje sou mulher que corre ao encontro dele, deixando para trás a menina que se agarra aos cobertores e anseia pela chegada do dia.
Olhando pela janela vejo a noite quieta, insondável. A alma do mundo em absoluto silêncio. Tudo à espera de me ver passar: as estrelas pararam de cair, as flores dormem nos quintais. Gatos deixam de amar nos telhados, cessam os lamentos felinos; cães não latem, homens não gritam, carros estacionam ¿ a morte dos motores. Em suspenso, a respiração da vida. Só ouço meu coração, e este bate frágil, oculto, adormecendo.
Então sei o que preciso fazer. Sei, em cada centímetro do meu corpo. Conheço a missão sagrada do amor, e tanto a conheço que entendo, com perfeita clareza, cada minuto em que a vida me concede o silêncio: estou aqui, esta é a janela, mais adiante a existência.




4 Ivy Judensnaider Knijnik:

Se coloco meus lençóis
No pequeno varal do amor
É para que sequem ao vento
Ou que molhem
Na brisa orvalhada
Da madrugada.

Do perfume
Que deles exala,
Sinto a lembrança
Do teu cheiro
(Beijo,
Louco movimento no espaço).

Atordoa-me apenas a cor branca.
Investigo dobras,
Tecido amarfanhado,
E procuro,
Desesperadamente,
Pela linha delicada do teu sorriso.

Se coloco meus lençóis
No pequeno varal do amor
É para que mantenha
O cheiro que me adorna a memória
No beijo que me afaga o rosto,
O tecido que enroscou nossas peles
O seu gosto no meu gozo.




5 Vanessa Martins:

Pés no chão. Desilusões no varal do amor. Na calçada a brisa da madrugada. E a valsa que dispara:

Se coloco os pés descalços no chão,
Meus lençóis, são maus lençóis.
No pequeno varal do amor, que sequem ao vento todas as desilusões;
Ou que molhem na brisa orvalhada da madrugada que ainda espero na calçada.

No compasso do amor, lentes desconexas. Apego, desespero. Vontade que brota no roxo do calo do pé. Pestanejo. Só lençol, meus lençóis.




6 Sabine Marins:

se coloco
meus lençóis
no pequeno varal
do amor
é para que sequem
ao vento
ou
que molhem
na brisa
orvalhada
da madrugada

palmas entrelaçadas
brancas palmas
tateando caminhos
percebidos, des
cobertos pelo
faro, rastro de,
em lençóis
brancos
quase
nunca des
vendados.



7 cronópio Gil Brandão

Se coloco meus lençóis no pequeno varal do amor,
é para que sequem
ao vento ou
que molhem na brisa
orvalhada da madrugada.

Se coloco meus lençóis no pequeno varal do amor,
é para que sintam o gosto do vôo.
Para que saibam e me voem,
quando eu estiver na cidade te vendo ao longe
com pés pesados de sonho tentando te alcançar.

Porque sem asas de lençol, você me escapa.
Em vontades úmidas na noite que se acaba,
em palavras incertas nos dias em que te vejo.

Se coloco meus lençóis a voar
é para que as palavras se achem desertas e únicas
a celebrar a vida nas mais doces paragens.
Como que a desejar ser vôo
ou palavra liberta,
sem rodeios noturnos.

Sonhar seu vôo no pequeno varal da madrugada.
Que nem os lençóis
ou os amores.


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