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5.4.06



Escritos em parcerias na sua segunda edição. O vento, essa divindade fantástica, nos leva por entre brumas, brisas, arco-íris e palavras muitas e lindas associadas, doces, firmes.
Aqui chega o vento com um tanto de rima, com algo de métrica, com um ¿q¿ de histórias, e, como diz um parceiro aqui presente, com insanidade a vontade, mas só para quem tem mal-de-peito.
Sejam bem-vindos todos. A casa continua nossa, e o vento é o que nos embala.
Eu, arquiteto de loucuras, agradeço!

Alexandre Beanes

P.S.: Muito feliz pelo ressurgimento do grande Péricles Peri. Tal Fênix, das cinzas, ressurge brilhantemente.

Fotos: Sabine Marins





1 com Péricles Peri:

Era a chuva
a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de
brisa ou furacão,
era mais...

Quanto mais se pode apelidar um sonho, que em si é só sabor de vento a balançar ¿ e quem nunca provou que não entenda ¿ mas é mais... que com menos, dá mais.

O menos está aí,
dá pra quase ver em cores.
Aquela brisa que não há
Aquela barra que afundou
A baía que afogou
O baião que não se ouviu.
Ouviu?
Era a chuva, trovão.
Foi idílio,
Foi-se o furacão.
Amor que partiu,
menor a cada dia.
Menos, menos...
Não mais.

Mas é na falta que se faz.
No ar parado nasce o vento.
No olho imóvel, movimento.
Óvni: ovo no ninho.
Está, não está.
É sonho e só.
E basta.





2 com Sabine Marins:

Era a chuva
a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de
brisa ou furacão,
era mais...

olhos abertos
fechados e no entre
a gota salgada

evapora
sobe aos céus
voa livre, liberta

avista outros mares
retorna gota
agora doce

desliza entre azuis
ao encontro
que se forma
arco em íris.





3 com Rayanne:

Era a chuva a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de brisa ou furacão,
era mais...

Era o prenúncio da mesma dor antiga
Era o precipício quando acaba a imensidão
Era a tarde triste nascendo atrás da estória.

E era tão conhecida aquela sensação
Aquele telefonema mudo suspenso no ar
E o sinal de ocupado nos meses depois

Quando dobrou a esquina do sorriso sabia,
Não havia mais nada, nem suspiro nem pássaro.
Depois do último dente
Passo,
Escada.

Atravessou a porta do juízo e ganhou a rua.
Fora, a chuva lavou qualquer chance de grito
Guardou para si toda a dor; o vazio. Somente o vazio.
O vazio traçando rumos infindáveis dentro.

Porque era assim. Ao rio os pulsos, as horas.
Dissolvidos na água que fugia escura.
Porque nunca mais é ser tão triste.
Porque fechar a porta amputa tanta ternura.

Pensou em voltar e não. Tantas vezes. Até.
Mas a vida vai bordando escamas nesse ¿nãos¿
E de repente a gente volta a flutuar...
Porque nada e tudo se aproximam tanto.

Largou enfim as mãos do tempo
E mergulhou talvez:
Atendia ao chamado
Do vento.





4 com Camila Lordelo:

Queria eu ser a tua música. Ter a leveza do canto, a doçura da rima, a presença constante do refrão. Tomar seus pensamentos em horas dispersas, me dissolver entre sopros e assobios que desaguam em sorrisos espontâneos. E te ver me cantar por horas, me guardar com carinho em qualquer tom. Andar afinada com suas palavras, pontuar o seu ritmo, ser tua música, tua musa, ah, queria eu... morar em teus momentos, derreter na tua língua e ¿ muito deliciosamente ¿ não sair tão cedo da tua boca.

¿Era a chuva
a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de
brisa ou furacão,
era mais,
era mais,
era mais...¿





5 com Flávio Duarte:

Era a chuva
a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de
brisa ou furacão,
era mais...

Era um cheiro
dormente no tempo,
lilás...

Era a vida
que ardia
numa folia
voraz...

Era o meu amor
que vinha,
sozinha, tenaz.
Daninha, lasciva,
perene, fugaz.





6 com Moca:

Era a chuva a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de brisa ou furacão,
era mais...

Se espalhou como abraço em noite fria
quem a viu, sabia
Ganhou acreditando no que tinha
por fim, se fez minha

Era a chuva a embalar
o sonho do vento
Era a chuva a molhar
o momento
de quem enfim vinha.

E sorriu, como quem sabe
a contento
do amor que secando ao vento
encontra a morada da sua boca
na minha.


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